R&R

Retrato & Representação


Website: http://retratorepresentacao.wix.com/girr

Membros:
Investigador responsável: Eunice Ribeiro.
Investigadores doutorados do CEHUM: Eunice Ribeiro, Maria do Rosário Girão, Luís Mourão, Vítor Moura e Xaquín Núñez Sabarís.
Colaboradores externos: Carlos Corais, Joana Matos Frias, Mónica Ortuzar e Paula Morão.
Estudantes de doutoramento: Diogo Martins, Daniel Tavares, Pedro Meneses, Sandra Cunha, Sara Lima e Vanda Figueiredo.

Descrição do Grupo de Pesquisa:

O R&R é um grupo de pesquisa constituído no âmbito da investigação em Ciências da Literatura realizada no Centro de Estudos Humanísticos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho. Integrando investigadores doutorados e estudantes de doutoramento, o grupo pretende levar a cabo uma investigação ampla e integrada em torno de processos e manifestações da representação artística da figura humana e do retrato capaz de suprir uma certa carência teorética que se observa nos estudos nacionais no domínio retratístico, centrados essencialmente em aspetos historiográficos e iconográficos ou técnico-formais, e perspetivados quase sempre em função das artes plásticas (pintura e escultura), excluindo em boa parte o exemplo do retrato literário e poético, assim como outras modalidades contemporâneas de concretização retratística associadas aos meios digitais, à instalação ou à landart.

Produto reconhecido da episteme ocidental cujas origens se fazem remontar à história do Egito Antigo e em especial aos seus importantes cultos funerários, sem esquecer a poderosa influência artística da civilização helénica, a arte do retrato pautou-se durante vários séculos por princípios de representação naturalista que veio a atribuir às linguagens da imagem a suposta vantagem de uma relação desejavelmente espontânea com a ordem do mundo.

Enquanto objetivação estética de reflexões e indagações identitárias aos diferentes níveis – individual, social, político ou cultural – , o retrato constitui-se como género artístico conhecedor de um notável florescimento no mundo ocidental a partir da Renascença, coincidindo com a aquisição de uma importante autoconsciência sócio-profissional por parte dos artistas e com a possibilidade do acesso à autoridade e à exemplaridade da imagem por parte de camadas cada vez mais amplas da população. Concebível segundo tipologias diversas e assumindo funções díspares, do desejo de autoconhecimento à propaganda política e ideológica, o retrato veio a revelar-se progressivamente transversal a múltiplas linguagens artísticas, desde a pintura e a escultura à medalhística, às artes decorativas, à fotografia ou às mais recentes produções digitais e intermediais, estendendo-se ainda à música e à literatura onde se tem avizinhado das escritas intimistas e (auto)biográficas com as quais se delineiam fronteiras nem sempre rigorosamente nítidas.

A ‘ocidentalidade’ do retrato, votado ao encarecimento dos sujeitos e à afirmação de autorias e de singularidades, tal como o prodigalizou a tradição quinhentista holandesa e italiana, não seria posta em causa senão a partir das primeiras décadas do último século, altura em que novas formulações da identidade dissociadas quer de uma iconografia de aparências e semelhanças físicas, quer de uma noção de individualidade univocamente definível tendem a afirmar-se.

A hipótese de identidades fragmentárias, descentradas, instáveis ou dissipativas produzida nos séculos XX e XXI atribuiu ao conceito uma latitude cada vez mais abrangente e movediça, conjugando componentes sociais, profissionais, psicológicos, étnicos, etários, sexuais, parcialmente formatados em função de expectativas e contingências históricas e contextuais. O retrato novecentista e em especial o retrato contemporâneo confrontam-nos de facto com propostas acrescidamente ambíguas e tipologicamente complexas que oferecem resistência a categorizações que julgaríamos consensuais. A imagem retratística passa a absorver com frequência uma lógica de mobilidade e de metamorfose, uma dimensão de mudez e de sombra que comprometem em defintivo a sua tradicional ‘autoridade’ e as suas tradicionais funções celebrativas e exemplares, reconfigurando-a como lugar de uma ‘procura’ que se exercita num limiar incerto entre o representável e o irrepresentável, o visível e o oculto, a forma e o informe. Inicialmente subordinado a um código ótico capaz de devolver o real como narrativa, o retrato descola-se agora progressivamente do suporte duplicativo e ‘consolador’ do reconhecimento, e em boa parte da fé nas imagens, rumo a gramáticas alternativas de construção e de organização figural ou mesmo a hipóteses ‘contrarretratísticas’ de resistência à figura, cada vez mais distantes de uma leitura teológica do corpo, cada vez menos subsumíveis num paradigma restritamente representacional.


Estrutura organizativa do Grupo de Pesquisa:

O R&R integra neste momento, além do investigador responsável, investigadores doutorados de vários departamentos e escolas da Universidade do Minho, estando permanentemente aberto à integração de novos colaboradores, nacionais ou internacionais, que desejem enquadrar-se nesta linha temática de estudos:

· Eunice Ribeiro (Prof. Catedrática do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos do ILCH/UM) – Inv. Responsável

· Luís Mourão (Prof. Coordenador do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)

· Vítor Moura (Prof. Auxiliar do Departamento de Filosofia do ILCH/UM)

· Xaquín Núñez Sabarís (Prof. Auxiliar do Departamento de Estudos Românicos do ILCH/UM)

A equipa conta ainda com a colaboração de colaboradores externos, tanto investigadores como artistas, e de vários estudantes de doutoramento que se encontram a desenvolver os seus projetos, mais direta ou mais indiretamente, em torno dos estudos sobre representação e sobre retrato, não só no âmbito literário mas numa perspetiva comparatista de confronto entre distintas linguagens artísticas (música, artes plásticas, fotografia, cinema).

Colaboradores externos

· Carlos Corais (Prof. Auxiliar da Escola de Arquitetura da UM)

· Joana Matos Frias (Prof. Auxiliar da Faculdade de Letras da UP)

· Mónica Ortuzar (Prof. na Universidade de Vigo. Artista plástica)

· Paula Morão (Prof. Catedrática da Faculdade de Letras da UL)

O R&R conta ainda com a colaboração de vários estudantes de doutoramento que se encontram a desenvolver os seus projetos, mais direta ou mais indiretamente, em torno dos estudos sobre representação e sobre retrato, não só no âmbito literário mas numa perspetiva comparatista de confronto entre distintas linguagens artísticas (música, artes plásticas, fotografia, cinema):

· Diogo Martins (Making room for every emotion: a escrita musical de Alanis Morissette. Projetofinanciado com uma bolsa individual de doutoramento da FCT)

· Daniel Tavares (Do retrato poético: leituras interartísticas na poesia portuguesa contemporânea. Projeto de doutoramento financiado com uma bolsa individual de doutoramento da FCT)

· Pedro Meneses Um valoroso lugar incerto – A cartografia humana em «Uma viagem à Índia» de Gonçalo M. Tavares. Projeto financiado com uma bolsa individual de doutoramento da FCT)

· Sandra Sousa (Retratos do Herói: Releituras da Cultura Clássica na Ficção Portuguesa Contemporânea)

· Sara Lima (Tematizações da Morte na Ficção Saramaguiana. Projeto financiado com uma bolsa individual de doutoramento da FCT)

· Vanda Figueiredo (O corpo moderno: representações na literatura portuguesa e outras artes. Projetofinanciado com uma bolsa individual de doutoramento da FCT)


Objetivos de Grupo de Pesquisa:

O R&R tem por propósito desenvolver a reflexão teórica e crítica sobre os conceitos e as práticas retratísticas no espaço ocidental, confrontando-a com os pressupostos da atitude representativa ou pararrepresentativa, reflexão academicamente ainda muito confinada às escolas de belas-artes e ao ensino da história e da filosofia da arte, dando atenção à produção de retratos oriunda quer da chamada cultura erudita quer da chamada cultura popular e expressa em diferentes media, materiais e linguagens – sem aqui esquecermos a literatura e a longa tradição do retrato poético –, com ênfase especial nas soluções continuamente inovadoras oferecidas pela contemporaneidade.

Além de se procurarem definir possíveis pontos comuns nas ideias e nos processos retratísticos que permitam delinear uma cartografia desejavelmente mais aproximada do que se supõe seja uma ‘identidade contemporânea’, é ainda a própria (im)possibilidade do retrato como categoria que se pretenderá outrossim indagar: pode/deve ou não falar-se em retrato quando nos situamos já além ou aquém da mera ‘imitação do real’ e da necessidade mínima do reconhecimento?

Quer através da realização de eventos, quer através de publicações e da apresentação de papers, da criação de unidades curriculares específicas ao nível do ensino pósgraduado e ainda da criação e desenvolvimento de uma página Web consagrada ao tema, que inclua notícias, comentários ou ensaios relevantes sobre práticas retratísticas (ou como tal entendíveis) nacionais e internacionais, em qualquer linguagem ou suporte, este grupo de investigação propõe-se promover o interesse e o debate alargado, dentro e fora da comunidade académica, sobre um dos gestos mais familiares e sistemáticos do sujeito ocidental. Atendendo não só à importância reconhecida dos públicos e das audiências no trabalho interpretativo mas ainda ao facto de o identitário, como hoje o entendemos, ser inevitavelmente relacional, particularmente oportuno julgamos ser interrogar o papel das intencionalidades dos públicos na construção do sentido retratístico: para além das eventuais intencionalidades dos artistas/retratistas, que liberdade (ou que autoridade) se reserva o observador de afetar-se ou deixar-se afetar por não importa que imagem, a ponto de a constituir em retrato de outrem ou até em retrato próprio?


Algumas ações desenvolvidas até ao momento:

Eventos:

Ciclo de Seminários “Autorrepresentação/ Autobiografia/ Autorretrato”, OUT 2011-MAI 2012, CEHUM/Universidade do Minho. (Conferencistas: Paula Morão (UL); Clara Rocha (UNL); Maria Emília Vaz Pacheco (ISLA/Santarém); Maria da Conceição Carrilho (UM); João Barrento (UNL); Rita Patrício (UM); Daniel Tavares (UM).

Seminários Doutorais no âmbito do programa de doutoramento em Modernidades Comparadas: Literaturas, Artes e Culturas do ILCH: Carlos Corais, “A expressão no retrato naturalista”, 11/1/ 2013; Vítor Moura, “O retrato musical: sobre as Variações Enigma de Elgar”, 18/2/ 2013.

Formação pós-graduada:

Criação da UC semestral “Retrato: Teorias e Práticas” no plano curricular do Doutoramento em Modernidades Comparadas: Literaturas, Artes e Culturas (Docente responsável: Eunice Ribeiro); em funcionamento a partir de 2012/2013.

Publicações:

I. Livros e Revistas:

CORAIS, Carlos (2013), Expressão e expressividade no retrato naturalista do séc. XX, Universidade do Minho, Braga [Tese de Doutoramento em Arquitetura]. RepositoriUM: http://hdl.handle.net/1822/24884

RIBEIRO, Eunice (ed.), Diacrítica 26/3, 2012. Revista do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho – Dossier Autorrepresentação/ Autobiografia/ Autorretrato

II. Artigos:

CORAIS, Carlos Cruz (2010), “O tema do devaneio nos retratos de Kamilla Swoboda por Oskar Kokoschka”, PSIAX, nº1, Série II, Ed. FBAUP, FAUP e EAUM, pp. 38-41.

MARTINS, Diogo André Barbosa (2012), “Um pacto às escuras: da autorrepresentação em Alanis Morissette”, Diacrítica, 26/3 (61-91).

RIBEIRO, Eunice (2012), “Fragmento e ruína: retratos modernos”, Atas do Colóquio Internacional 1912-2012: a Time to Reason and Compare, Faculdade de Letras da Universidade do Porto (no prelo).

______ (2011), “Apropriações retratísticas: 3 casos (em parte) portugueses”, in Xaquín Núñez Sabarís (org.), Diálogos Ibéricos sobre a Modernidade, Col. Hespérides/Literatura n.º 25, Edições Húmus/CEHUM, pp. 63-78. RepositoriUM: http://hdl.handle.net/1822/12730

TAVARES, Daniel (2012), “Gaëtan e Herberto Helder: do impercetível, Diacrítica, 26/3 (41-59).