Ciclo de seminários

O ciclo de seminários acoplado ao projeto WOMANART foi concebido como uma forma de convocar peritos nas áreas sob investigação, de forma a aprofundar, atualizar e aferir o conhecimento compilado e disseminado pela equipe de investigação reunida em torno deste projeto. Os seminários também são uma forma de divulgar o projeto, tanto a nível nacional como a nível internacional. Assim, ao longo dos 21 seminários já realizados foram convidados peritos de diversas universidades, sobretudo de Portugal, Brasil, EUA e Reino Unido. A equipe também procurou estender os convites a curadores, galeristas, escritores e artistas, privilegiando sempre a obra que nos foi legada por mulheres enquanto pensadoras ou criadoras de arte. Os temas dos seminários têm focado sobretudo as memórias filmadas, fotografadas ou escritas (em termos de ficção, drama e poesia) das ditaduras portuguesa e brasileira de meados do século XX, incluindo a vertente colonial da ditadura portuguesa. A própria história dos movimentos de mulheres durante este período também foi abordada por vários oradores, bem como as dificuldades de acesso a oportunidades e meios para as mulheres artistas.

Todos os seminários que foi possível filmar estão disponíveis online, no sítio do projeto. 

Seminário WOMANART #26 – Paul Mello e Castro (University of Glasgow)

Escrevendo depois do Estado Novo nos anos 60: o caso goês de Maria Elsa da Rocha

Maria Elsa da Rocha (1924-2005) foi uma das mais prolíficas escritoras de ficção em língua portuguesa depois do fim do regime português em Goa em 1961, tendo escrito uma vintena de contos (alguns publicados no jornal A Vida [que continuou em português até 1967], outros reunidos numa coletânea chamada Vivências Partilhadas [que viria à luz em 2002], e ainda outros permanecendo inéditos até hoje). Os escritores goeses da sua geração tinham uma particularidade em relação a seus congéneres em Portugal e nas demais colónias: poderem escrever sobre o Estado Novo depois do Estado Novo enquanto o regime ainda existia. Aqui analisarei uma pequena amostra de seus contos que tematizam de alguma forma os últimos anos do regime ditatorial em Goa, argumentando que Rocha revê esse passado para comentar sobre a atualidade pós-Estado Novo da sua terra.

Seminário WOMANART #25 – Ana Veiga (Universidade Federal da Paraíba)

Ana Maria Veiga é doutora em História pela Universidade Federal de Santa Catarina, com estágio doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris. É professora do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba. Tem pós-doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas pela UFSC. Suas áreas de interesse são teoria da história, história visual, história digital, estudos pós/decoloniais, gênero, interseccionalidades, sertões. É editora da revista Saeculum e editora de divulgação da revista Estudos Feministas (REF). Possui experiência em roteiro e produção audiovisual. É lider do Grupo de Pesquisa ProjetAH – História das mulheres, gênero, imagens, sertões.

Seminário WOMANART #24 – Conversa com o escritor Mário Lúcio Sousa

Cantor, compositor, escritor, pensador cabo-verdiano.  Mário Lúcio é uma das figuras mais reconhecidas da cena cultural e musical cabo-verdiana, tanto local como internacionalmente. É o escritor mais premiado do país internacionalmente, o poeta que marca a viragem na nova poesia cabo-verdiana com o livro “Nascimento de Um Mundo”, um dos mais conceituados pensadores da sua geração, o autor do “Manifesto a Crioulização”, a obra mais atual sobre o fenómeno da Crioulização no mundo, de que é um pensador expoente, o Ministro da Cultura que lançou a nova epistemologia sobre a Cultura, com a obra “Meu Verbo Cultura”. Reconhecido pela sua produção literária e artística, entre outras, pela autoria de uma importante obra sobre o campo de prisioneiros do Tarrafal, “O Diabo foi meu padeiro” (2019) e “A Biografia do Língua” (2015). Ambas as obras incidem sobre a guerra colonial e a contestação da Ditadura, foco privilegiado do projeto WOMANART.

Seminário WOMANART #23 – Joana Tomé

Do dissidente feminino na Gravura: fulcral ferramenta de resistência anti-fascista, durante Estado Novo, a partir da obra de Alice Jorge

A partir da obra gravada de Alice Jorge (1924-2008) se propõe esboçar os traços de uma tradição artística feminina de resistência à violenta ditadura fascista do Estado Novo, inferindo coordenadas essenciais da conjuntura sociopolítica da época e da incomensurável subversão proposta pela gravura. A técnica da gravura, de especificidades técnicas e conceptuais, permite uma nascente linguagem plástica que admitia, enfim, a representação de uma subjectividade feminina – e, em particular, da mulher trabalhadora.

Breve cv: Investigadora, ensaísta e ilustradora. Licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2007-2010). Mestrado em Ciências da Arte e do Património, no domínio científico de Teoria da Arte, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2010-2012). 20 valores, qualificação de Excelente. Doutoramento em Belas-Artes, vertente Ciências da Arte, pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Seminário WOMANART #22 – 22/09 – Phillip Rothwell (Univ. Oxford)

Dia 22 de setembro de 2020, decorreu, online via zoom, o  Seminário WOMANART #22, com o Professor Phillip Rothwell (Univ. Oxford) e a apresentação: A Mãe Negra torna-se Mãe Transnacional: A Evolução da Maternidade na Literatura Angolana de Alda Lara a Djina.

Breve nota biográfica: Phillip specializes in the literatures and cultures of Portugal and Lusophone Africa. He favours psychoanalytic theory as a tool to furthering our understanding of Portuguese culture and its imperial aftermaths. An authority on the Mozambican writer Mia Couto and the Angolan author Pepetela, his current research focuses on disavowal as a structuring discourse in Portuguese colonialism. Phillip lectures on Lusophone African and Portuguese authors with a particular focus on the twentiteth and twenty-first centuries. He leads undergraduate seminars on Angolan and Mozambican culture. He aso regularly teaches translation classes. At the graduate level, he oversees the Portuguese methodology seminar, the Portuguese Research Seminar and co-teaches modules of the Women’s Studies MSt with Professor Claudia Pazos Alonso.

Veja a gravação do seminário aqui:

Seminário WOMANART #21 (online) – Edma Góis

Curadoria enquanto presença: marcas da autoria e percursos de leitura

Breve resumo: Minha atual pesquisa, realizada no âmbito do PNPD/Capes no PPG em Estudo de Linguagens da Universidade do Estado da Bahia, parte da trajetória do conceito de curadoria, relativamente recente no campo das artes visuais, para pensar em empreendimentos literários em que a autoria parece sugerir um caminho de leitura para os seus próprios textos. Este gesto da autoria, que não nega a autonomia da recepção já defendida por teóricos como Eco (1994), relaciona-se à escolha dos aportes de produção utilizados nas obras, uma vez que são textos literários que fazem uso de diferentes gêneros ou sistemas artísticos em sua concepção. A partir da leitura de obras de autoras contemporâneas, analiso como as noções de curadoria e, em um segundo momento, livro de artista podem ser articuladas para pensar a organização do texto como preparação de uma visita guiada ou, em último caso, em uma espécie da receção ensejada pela autora.

Seminário WOMANART #20 – ONLINE – Carolin Overhoff Ferreira

Mulheres indisciplinares e seus filmes sobre a ditadura – Brasil e Portugal

Breve resumo: Este seminário abordará duas cineastas, uma brasileira e uma portuguesa, e seus filmes sobre o período da ditadura, nomeadamente Susana de Sousa Dias e Flávia Castro. Abordará brevemente a ideia de filmes indisciplinares e depois apresentará estudos sobre os filmes 48 e Natureza Morta, Diário de uma Busca e Deslembro.

Nota biográfica: Carolin Overhoff Ferreira é professora associada nos cursos de graduação e pós-graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Campus Guarulhos. É também credenciada no program de pós-graduação em Filosofia na Unifesp. Possui pós-doutoramento sênior pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) em cinema. Estudou Ciência de Teatro/Seminário de Cinema e História da Arte na Universidade de Viena (1990), University of Bristol (1991), Universidade Humboldt, Berlim (1992), e Universidade Livre de Berlim (1993). Possui mestrado em Ciência de Teatro e História da Arte (1993) e doutorado em Ciência de Teatro (1997) pela Universidade Livre de Berlim. Foi professora convidada e pesquisadora com bolsa Torch na Universidade de Oxford em 2019; professora adjunta convidada com exclusividade no Curso de Som e Imagem, Universidade Católica Portuguesa, Porto de 2000-2007; professora convidada em 2006 na Universidade de Coimbra, docente na Universidade Livre de Berlim em 1999 e entre 1995-1999 na Universidade de Ciências e Artes Aplicadas em Hannover. Tem experiência como docente e pesquisadora na área de Artes, com ênfase em cinema, teatro e arte contemporânea; critica, teoria e história das artes. No campo das artes aplicadas atuou como dramaturgista (Teatro Nacional de Hannover, Ópera Nacional de Stuttgart, projetos teatrais com financiamento federal e estadual em Portugal e no Brasil) e como crítica de teatro (Folha de São Paulo). Estuda a relação entre arte e política através dos seguintes temas: teoria e história do cinema, do teatro e da arte; cinema, arte e dramaturgia contemporâneas; diálogos interartes e adaptações literárias; cinemas de língua portuguesa, suas identidades nacionais e transnacionais, e suas relações coloniais e pós-coloniais.

Seminário WOMANART #19 – ONLINE – Joana Pedro (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Brasil)

#GAPSEMQUARENTENA

Dia 29 de maio ocorreu o Seminário WOMANART #19 online, com a presença da Professora e Pesquisadora Joana Pedro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Os feminismos e as possibilidades democráticas para as mulheres no Brasil

O objetivo desta atividade é destacar as pautas, os ganhos, as dificuldades e retrocessos, que os movimentos de mulheres e feministas obtiveram na instável democracia que se instalou no Brasil após o final da ditadura militar. Pretendo focalizar a presença de mulheres nos setores públicos, nas universidades e nas ONGs. Abordarei a narrativa de tensões e outra de pontes e alianças, entre o movimento de mulheres e feministas e a academia.  Serão, também, destacadas as contribuições do movimento feminista ao campo da pesquisa acadêmica, especialmente à historiografia e ainda às ressonâncias das pesquisas sobre o próprio movimento feminista. Utilizarei, para estas reflexões: textos, relatórios, artigos que, por vezes, se antagonizam, e, por vezes, conciliam.

WIPS EM QUARENTENA

Os WIPS (Work in Progress Seminars) ocorrem mensalmente e internamente com a equipa do GAPS e têm por objetivo a apresentação e discussão dos trabalhos em desenvolvimento no âmbito do projeto WOMANART.

Devido às orientações para controle e contenção da COVID-19, os seminários WIPS passaram a ocorrer via teleconferência (via Zoom).

Nos primeiros encontros, realizados durante os meses de abril e maio, conversamos sobre os filmes a serem exibidos na segunda edição do Ciclo de Cinema WOMANART, entre outras obras cinematográficas que de alguma forma relacionam-se à temática do projeto.

Além dos filmes que faziam parte da programação do nosso Ciclo de Cinema, a saber: “Que bom te ver viva“, de Lucia Murat, “Atrás de portas fechadas“, de Danielle Gaspas e Krishna Tavares e “Terceiro Andar“, de Luciana Fina; tratamos também do filme “Sambizanga“, de Sarah Maldoror e “Natureza morta”, de Susana de Sousa Dias.

Nessas reuniões, debatemos como  esses filmes evidenciam questões de memória, identidade e trauma decorrentes da acção do Estado Novo e da Ditadura Militar no Brasil, bem como do colonialismo Português em África.